quarta-feira, 3 de julho de 2013

A metamorfose - Parte 1 de 3



A metamorfose

Quando a MOSCA K acordou, estava transformada em um homem. Ao levantar, a primeira coisa que percebeu foi que estava um pouco mais longe do chão que o habitual; não sabia a sua altura exata, mas era algo em torno de 1,90 metros. Sentiu falta, imediatamente, da coisa mais importante para qualquer inseto ou bicho voador: as asas. Que falta faz aquele par de asas menor que servia só para estabilizar e era sempre menosprezado. Tinha agora duas pernas (fortes, ágeis e rápidas), mas não dava pra comparar com as asas; batiam centenas, milhares de vezes, milhões de vezes por segundo, sei lá! E a visão de humano é um  foco só, que tortura infernal, MOSCA K perguntava-se como um animal poderia viver sem a visão em cento e oitenta graus e as incríveis manobras aéreas evasivas (as asas, que falta faziam); estava, obviamente, desprotegido. E o delicioso pentear o corpo e pentear de membros aquele era sem dúvida um hábito de higiene extremamente prazeroso; tinha agora braços (lisos, fortes, ágeis) movimentou-os um pouco, contraiu os bíceps com força e gostou do resultado. E as mãos! Que droga era aquela!?!?!? Quantos dedos e se dobram em várias partes, parecem ter vida própria; bem melhor era a ponta das patas, com sucção e extra-sensibilidade. Depois de olhar o próprio corpo, resolveu olhar ao redor para tentar se ambientar. Conheceu rapidamente o lugar: o beco enlameado transversal à bronxdale avenue, o tambor de lixo atrás do FJ Pine Burguer’s, que lixo maravilhoso, com restos de molhos começando a putrefar, hambúrgueres babados, pão umedecido com guaraná e outras tantas delícias já conhecidas. A verdade é que a baba humana nos alimentos ajuda a apodrecer e a amolecer o alimento tornando-o mais apetitoso e facilitando a digestão, um verdadeiro tempero humano. E tem mais um detalhe: você nunca se perguntou por que as moscas sempre voltam ao mesmo local do seu corpo quando são espantadas!!!???? Um dia vou postar um vídeo tutorial sobre isso, pensou MOSCA K, com música da Madonna ou do Michael Jackson; eles usam tantas luzes e brilhos, moscas adoram isso; o brilho maravilhoso de uma carne gordurosa, ou de uma lasanha morna, delícia! Eis a verdade nua e crua, nós moscas vomitamos a comida na sua pele para que ela amoleça e aqueça na temperatura ideal do corpo humano, para então voltarmos a pousar em seu braço e se alimentar daquela pasta aquecida pelo seu corpo, temperada pelo sal do seu suor, e perfumada pelo odor leve dos hormônios: delícias gustativas sensoriais inimagináveis.
Bem, agora que olhava paro o próprio corpo, percebeu que estava nu e sentiu vergonha de sua nudez.
Um esboço de sorriso quis aparecer em seu rosto; lembrava da nudez que tinha visto nos banheiros do restaurante e das fezes que brilhavam maravilhosamente. Como só pensava em comida chegou a única conclusão óbvia: estava com fome! Moveu-se rápido e agilmente para uma pessoa até o balde de lixo, porém as suas lembranças de outrora transformaram essa pequena movimentação numa eternidade. Saciou-se com algumas das delícias citadas acima que já não agradavam tanto ao paladar como outrora, o que o deixou bastante contrariado. Alimentado, então, era hora de mover-se; bater asas por aí, ou pernas.
Ao olhar para cima, viu um grande outdoor com a figura do tio Sam apontando para uma direção e o dizer embaixo: "Go West, young man, go West". Estava claro para onde deveria ir: o Oeste. Logo na primeira tentativa de atravessar a rua: quase atropelamento. A droga da visão em foco. Tudo bem, resolveu passar assim mesmo. E com carros freando, acelerando, quase batendo, buzinando... chegou ao outro lado. E caminhava pela calçada em busca do Oeste e do pote de ouro no fim do arco-íris. Bem, em nenhum lugar do mundo é normal que um peladão loiro de quase 1,90m de olhos azuis e corpo Apolo grego saia andando por aí. Contudo, em nova Iorque terra de encantos mil, isso é estranho; mas levanta mais questionamentos do que censuras: Será um artista? De que tipo? Ator? Cantor? Escritor, com certeza não? Será modelo? De onde? Armanni? Dolce Cabana? Será algum tipo de protesto? Green peace? Pelados contra prostituição na bósnia? Pelados contra o uso de peles de animais? Será hippie? Ou yuppie? Ou crack?
Parou em frente a uma vitrine de uma boutique de roupas famosas e viu muitas coisas fantásticas: manequins usando roupas maravilhosas, peles, couros, paetês, sintéticos e sedas; a vitrine era uma obra de arte adornada com máquinas de costurar manuais, máquinas de escrever, bolachões de vinil, bonecas com vestidos tubinhos, bicicletas e outras coisas antigas que completavam a decoração que remetia aos anos 50 ou 60... e a iluminação estava impecável. Ah! A luz! Sempre fantástica a luz: o calor; o brilho; a cor viva; os tons metálicos, os espelhos iluminados, os rebatedores de luz, peles oleosas, amava tudo isso. No espelho improvisado da vitrine, só agora percebia a coisa mais linda, deslumbrante, fantástica, maravilhosa, arrebatadora, sensacional, formidável, impressionante, apaixonante, super irresistivelmente atraente: ele mesmo! Sua mente vagava a apreciar todos os contornos proporcionais e perfeitos do seu corpo em conformidade com os padrões clássicos de medidas de beleza. Corpo perfeito, olhos azuis celeste, cabelos loiros (um verdadeiro ouro que se derramava pela cabeça), resumindo: era perfeito para todos que olhassem.
Enquanto afogava-se em admiração própria, muitas pessoas passavam por ali e admiravam aquela cena inclusive as vendedoras e a dona da boutique; os proprietários, funcionários e clientes das lojas  vizinhas também observavam o desenrolar daquela situação incomum, mas também para admirar tanta beleza e perfeição em uma pessoa só. Alguém cogitou em chamar a polícia, mas a presença daquela figura de Apolo inspirava tranqüilidade e confiança: deveria com certeza ser modelo ou artista. Enquanto Mosca K estava ali não parava de chegar clientes e o movimento da boutique aumentava cada vez mais. Todas as clientes compravam alguma coisa e perguntavam quem era aquele em frente da vitrine. De tanto perguntarem a dona da loja disse que era um modelo pornô contratado pela boutique para uma campanha que seria lançada: “Não fique nu, passe na Boutique ...” Uso prático do tino comercial; e todas as clientes eram unânimes que  nunca tinham visto alguém com tanta beleza assim.
A dona da loja resolveu então tomar uma atitude perguntando se ele tinha gostado de algo da vitrine. Mosca K foi curto e grosso: - Brilhante, gosto de luzes e brilhos! A dona da loja entrou, pegou um sapato de couro de cobra muito bem envernizado, calça preta de couro (básica e colada), camiseta toda em paetês brancos(alças finas para mostrar bem os braços e ombros torneados). Inteligentemente ela sequer pediu pra que Mosca K não fosse embora. Após vesti-lo percebeu que agora sim que ele admirava a própria imagem na vitrine vertiginosamente. Alguém gravou com um celular a imagem de um peladão em frente a uma vitrine de uma boutique no Bronx e colocou no you tube, resultado: milhares de acesso e um movimento de vendas assustador na boutique...

Breve: parte 2 de 3

 

sexta-feira, 24 de maio de 2013

A brincadeira do copo


As regras são as seguintes :

  • Colocar em uma mesa todas as letras do alfabeto, em forma de círculo.
  • Pegar um copo, virá-lo de cabeça para baixo, e todos os participantes, colocarem um dedo em cima.
  • NÃO haver platéia, todos presentes devem jogar.
  • No jogo do copo vc tem de recortar as letras do abecedário e coloca-las em roda isso tudo em cima de uma cartolina que tenha no meio uma cruz desenhada... Ai vc coloca o copo no centro (por cima da cruz) e em volta de tudo isso, velas...
  • Proporcione um clima meio escuro e calmo e juntamente com seu grupo coloque os dedos sem fazer força em cima do copo...
  • Têm de se concentrar e ai perguntar o que quiser...
  • Tem de ter atenção que este tipo de jogos não pode ser feito em qualquer lugar, muito menos em sua própria casa porque pode dar asneira...
  • E se quiser jogar faça-o com consciência porque não se deve brincar nunca com coisa séria.
  • Não empurrar o copo, se não se mover sozinho, Azar.
  • Em hipótese ALGUMA, Tirar o dedo do copo, antes do jogo acabar, ou se acaso, conseguir se "comunicar" com algum espírito, dizerem "Tchau", ou "Adeus".
  • Os participantes- Limite entre 3 e 4 participantes. 4 considero o ideal, mas dá p/ fazer c/ 3. Com 2 o resultado é muito fraco.
  • Tem que ser num tipo de mesa o mais liso possível. Até um daqueles quadros brancos, tipo de colégio, p/ escrever c/ pincel serve. Aqueles quadros são bem lisos. Agora, uma mesa bem redonda, daquelas de escritório são ótimas.
  • O alfabeto- Recorte papeis e em cada um coloque uma letra do alfabeto e os numerais de 0 a 9. Tem que formar um circulo, na mesa, c/ o alfabeto na ordem e após a letra Z você coloca os numerais do Zero ao 9, que fica vizinho da letra A.
  • Depois de fazer o círculo. Coloque, em um papel recortado, a frase NÃO POSSO RESPONDER e também as palavras SIM e NÃO. Cada um em um papel ficando separados dentro do círculo. Veja a figura acima.
  • O copo- Muitas pessoas utilizam copos de vidro e algumas delas garantem ter visto copos quebrarem.

Quase todo mundo já ouviu falar da brincadeira do copo, onde se busca comunicação com as forças ocultas do além. E quase sempre também conta-se alguma história de algum jovem que termina a história de maneira trágica. Eu também conheço uma história da brincadeira do copo que termina muito mal. E na minha história tem quatro jovens que resolveram brincar com as forças do desconhecido.
Esses quatro jovens, como a maioria dos jovens costuma agir, decidiram brincar a brincadeira do copo de forma totalmente irresponsável, ou seja, tentaram burlar as regras da brincadeira achando que nada poderia lhes acontecer. Os jovens, sempre muito impetuosos, costumam pensar que a tragédia só acontece com os outros; que isso ou aquilo é besteira e que nunca acontecerá com eles. Esse é o problema: eles nunca têm medo. Eles resolveram brincar a brincadeira do copo do jeito deles, desrespeitando as regras citadas acima; jovens detestam regras.
Em primeiro lugar, não tinha apenas um copo, cada um tinha um copo e ficavam virando e virando o copo sem noção do perigo que aquilo poderia causar. Não estavam em um local calmo e um pouco escuro, mas isso é parte fundamental do processo. Oh sim! A insolência daqueles jovens ía custar muito caro; num local tumultuado como aquele que espécie de espírito poderia se revelar. Não se concentravam e não faziam as perguntas certas; apenas riam, riam muito e se divertiam à custa daqueles copos, os jovens adoram zombar. E como não aconteceu nada de extraordinário naquela noite os jovens foram embora meio frustrados. E eis que o trágico acontece: um momento de distração, animal na pista, carro capotando, quatro jovens mortos...
Portanto, caros leitores, nunca brinquem com coisa séria. Caso queiram fazer a brincadeira do copo sigam as regras direitinho e se alguma coisa der errado, clame a Jesus Cristo para que Ele te liberte da opressão das forças ocultas malignas que você não está conseguindo enfrentar sozinho. Acredite, Cristo vai te socorrer. Agora, se você quiser fazer como os quatros jovens da minha história e brincar da forma que eles brincaram, se divertir como eles se divertiram e ainda chegar vivo em casa; então, é mais simples ainda: se beber não dirija!


um mini conto de Allisson Franklin

 

terça-feira, 14 de maio de 2013

O dilema do rei

Meia noite e o alvoroço tomava conta do castelo do reino de "Tão Tão Distante". Os conselheiros corriam em polvorosa se esbarrando pelos corredores, o rei havia convocando uma reunião urgente e extraordinária. O que seria? Seria guerra, seria uma peste, caos econômico, revolta popular pela democracia, realização de profecias extraordinárias? E chegando na sala do conselho real o rei estava imóvel, no trono central do conselho, muito sorumbático e pensativo, mas ninguém intentava interromper as confabulações reais. Depois de uma meia hora de silêncio o rei resolveu falar:
- É uma situação muita embaraçosa e qualquer um que divulgar o motivo dessa reunião extraordinária ou fizer um comentário idiota será decapitado com uma faquinha de cortar pão. Nem preciso dizer o quanto o conselho tremia. - Pois bem, o negócio é o seguinte, a poucos instantes quando eu procurei a Rainha para o cumprimento dos deveres matrimoniais reais, ela simplesmente disse que não ía fazer nada porque teve um dia cheio e estava morrendo de dor de cabeça.
O rei fez uma pequena pausa. Os conselheiros começaram a se entreolhar meio envergonhados e amedrontados, qualquer gesto inconsequente poderia ser o último.
- Continuando... E não quero decapitá-la por descumprir as vontades do rei porque não ía pegar bem decapitar a rainha um pouco depois do dia das mães, tem as princesas que gostam muito da mãe, o povo também gosta muito dela, os reinos brigariam para me dar uma nova rainha, além do mais é a primeira vez que isso acontece, de forma que ía causar muita confusão e não ía pegar bem pra minha imagem... Imaginando que algum de vocês já passou por tal situação, espero algumas opiniões sensatas para que eu possa saber se há algo que tenha motivado a atitude da rainha e para que possa evitar que o mesmo ocorra futuramente.
O conselho se entreolhava desesperado. O que falar. O que falar. O que falar. Não podíam também demorar com uma resposta porque paciência não era uma das virtudes de um rei. E o primeiro a falar foi o conselheiro das armas e chefe do exército real, era preciso muita coragem (mas muita mesmo) pra fazer o primeiro comentário. Mesmo tendo enfrentado espadas, lanças, flechas, inimigos ferozes... o grande guerreiro chefe do exército real falou com um friozinho na espinha:
- Vamos decretar guerra a outro reino. Primeiro haverá muitas concubinas por trás das linhas de batalha, podemos abusar das mulheres dos vencidos e, principalmente, com o tempo Sua majestade a Rainha ficará com saudades e vai receber o rei com todo amor que ele merece.
O rei ficou calado um tempo, suficiente para o medo virar pavor, até que falou:
- Enfrentamos muitas guerras juntos e sei que sua intenção é ajudar, mas gostaria de uma solução menos drástica.
Uuuuuuuhhhhhhh, os conselheiros sentiram que era só não falar nenhuma besteira grande  e ficar com a cabeça no lugar, literalmente. O próximo a falar foi o chefe da religião real:
- Vamos marcar uma celebração religiosa e na hora do sermão eu falarei, muito muito muito discretamente do cumprimento dos deveres matrimoniais e de que como Deus gosta quando as esposas agradam os seus maridos.
Nova pausa real e clima de suspense.
- Não parece má idéia. Mas a rainha não é lá muito religiosa, porém não custa tentar. Vamos deixar isso em aberto.
- Vamos continuar a ouvir o resto do conselho. Chefe das relações políticas e do senado o que acha que devemos fazer? Resposta limpa e seca: Suborná-la! O rei não se fez de rogado: - Guardas! E enquanto o senador era arrastado para a decapitação: 
- E não se deixem subornar ou serão decapitados também. O monarca tinha razão em avisar, pois todo homem tende a ser corruptível.
O próximo seria o chefe da moeda real, que por dentro estava felicíssimo porque a idéia do suborno lhe ocorrera também e foi muita sorte o senador falar primeiro, tinha de pensar em outra coisa. Porém, não conseguia pensar em nada. Poderia sugerir que ele comprasse o Taj Mahal para a rainha, mulher adora presente, mas se o rei achasse que isso é subornar ou corromper: adeus cabeça.
- E você, chefe da casa da moeda real o que... nesse momento entra uma das servas pessoais da rainha. 
- Vossa majestade, trago uma mensagem particular da rainha. 
- Pode falar em alto e bom som que não há segredos entre mim e meu conselho real.
- Ela já melhorou da dor de cabeça e está esperando uma cravada da espada real.
- Bem, caros amigos do conselho, agora que recebi esta mensagem codificada vinda da rainha, só me resta agora garantir a integridade da minha imagem tomando precauções para que o conteúdo dessa reunião extraordinária não vaze...
- Guuuaaaaaaaaarrrrddddaaaaasss!


mini conto de Allisson Franklin

sexta-feira, 3 de maio de 2013

O patinho feio - Nova versão


Era uma vez, mamãe pata viu um ovo descendo o rio e resolveu colocá-lo em seu ninho e aqueceu aquele ovo com o mesmo carinho que concedia a todos os outros. Chegando o dia da eclosão dos ovos, um  a um começaram a quebrar... E daquele ovo que mamãe pata tinha acolhido do rio nascera o patinho mais feio de todos os lugares de todos os tempos. Feio em todos os aspectos e significados do dicionário para a palavra feio. Tinha quatro patas, tinha pelo ao invés de penas, uma cauda ao invés de rabo, sem dúvida era uma aberração e afrontava a perfeição da natureza.

Mamãe pata olhou para aquele patinho com muita tristeza, pois sabia que o xamã o sacrificaria no abismo quando completasse dois meses de vida. Então só restava amá-lo nesse curto período de tempo e dar-lhe a conhecer, enquanto vivesse, a única coisa que pode adoçar a vida: o amor. E no primeiro banho no lago, enquanto os patinhos bonitinhos da mamãe pata preservavam-se da água descansando sobre ela, o patinho feio se esbaldou, nadava com uma agilidade impressionante e passava um tempo considerável submerso. Essa experiência deixou mama pata muito feliz pq sabia que o patinho horrendo era o que tinha mais chance de se livrar de predadores, caso se livrasse do "julgo do abismo".

Infelizmente, para o patinho feio, a vida não é só de amor e teve que conhecer os percalços naturais de toda criatura. Era freqüentemente apelidado pelos outros patinhos, chamavam-no de "pastor": mistura de pato com castor. E pisavam no seu rabo constantemente e sempre diziam sorrindo que era sem querer. E riam muito: - Pastor!- Pastor!- Pastor!- Pastor! E riam até chorar, mas o patinho não chorava; desconsiderava tudo aquilo pq em seu íntimo considerava-se estranho mesmo para todos aqueles patinhos. Faziam de tudo para atuzigar o patinho feioso, até colocavam postagens engraçadas no Face book, tinha uma que era a foto de um castor e a foto da mamãe pata com os seguintes dizeres: pastor + pata = castor (e a foto da feiúra em forma de pato logo abaixo). Era muita zoação para um pato só.

Bem próximo do dia do "julgo do abismo" mamãe pata sentiu um pequeno tremor no seu coração, o patinho feio demorava-se muito embaixo da água, então mamãe pata resolveu mergulhar a cabeça para ver como estava o filhinho e o que viu a deixou muita espantada: o patinho desengonçado estava caçando! Caçando e comendo peixinhos e mariscos. Os patos selvagens comem plantas, raízes e coquinhos... Aquela visão deu-lhe um frio na espinha e um sobressalto no peito, mas o amor de mãe releva tudo.

O "julgo do abismo" acontece na vila dos patos quando os patinhos fazem dois meses, e o xamã pato dá a cada pato um nome ou o joga no abismo caso tenha qualquer imperfeição física ou psicológica aparente. Havia uma lista de imperfeições tal qual aquela lista de doenças do INSS que promovem uma pessoa para o status de aposentado, uma verdadeira dádiva nos dias de hoje; jogava-se no abismo por: deficiências físicas, gagueira, portador de TOC, ser fanho, olhos remelentos, penas arrepiadas, usuário de entorpecentes, cleptomania, covardia, obesidade, magreza mórbida, bombado também não pode, ser bonito demais, ser feio (se for pobre é defeito)...  . E era chegado o dia do patinho feio que pacientemente observava todos os seus irmãos patos receberem um nome.

No momento que o xamã pato pegou o patinho horrível pela cauda para jogá-lo o mais longe possível no abismo, eis que aparece: O LOBO!    - Ora, ora, que eu nunca tinha visto tanta comida junta reunida, vou começar por você, patona grandona. E quando todos correram assustados para trás da mamãe pata e a deixando meio sozinha, o patinho feio correu para frente dela para protegê-la. - Mas que criatura mais bizarra é essa? Será que vc serve de comida? E riu o lobo. O feioso ficou parado em posição de ataque e o lobo ria muuuuuuuito: - O que vc vai fazer seu monstrinho, me bicar com esse bicão, kkkkkkkk! Pois bem vejo que não comete o erro do morcego e decidiu de que lado vai ficar, pq pra mim vc ta mais pra bicho de pelo; porém de nada importa, pois vou matá-lo e depois comer todos esses patinhos deliciosos! E atacou o patinho feio que se defendeu com as patas, que nem ele mesmo sabia que eram venenosas, e o lobo caiu ali mortinho da silva...

- Mamãe pata, partirei agora! Tenho-te muito amor, mas não sinto que seja daqui.

- Tudo  bem filho. Não coma mais milho nem coquinhos, porque te dão mau hálito; caso fique com bafo, não coma hortelã ou menta porque não adianta, fica um cheiro de menta podre. Limpe o bico e se alimente com o que faz bem pro seu estômago.

Antes que o patinho feio fosse embora o xamã falou: - Por nos salvar, te darei um nome: Ornitorrinco!









MORAL: TODOS NÓS TEMOS DEFEITOS.

OU

MORAL: TODOS SOMOS DIFERENTES.


um mini conto de Allisson Franklin



Obs: Mau hálito não é defeito.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Rhye - The Fall Conto do que fazemos e do que temos vontade de fazer

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Hoje eu fui pra uma festa, festa que jamais esquecerei. Lá estavam todos os meus amigos e muitas outras pessoas fantasiadas de meus amigos, de sorte que todos eram meus amigos e então esqueci todos os sorrisos amarelos que recebo diariamente. E dancei feito um louco, dessa vez não fiquei com vergonha, dancei energicamente com movimentos confusos, alegres, espasmódicos e  um pouco ridículos. É lógico que no meu dia a dia tenho vergonha até do meu caminhado que é desengonçado e carente de energia.
Bebi um pouco, nunca fui de beber muito, só pra afrouxar o riso um pouco e desinibir a língua. E fiz o que há muito tinha vontade fazer, pular na piscina de terno e tudo, como uma bomba, bomber-man, bomba de alegria; pqp que felicidade em se fazer o que se tem vontade. Odeio vocês, ternos idiotas, que me fazem parecer com vários outros homens e não tenho vontade de ser similar, genérico ou sei lá o quê; os sheiks tem muito dinheiro e não usam ternos. Não sei porque, mas me sinto muito sem personalidade de terno, parece que eu sou apenas: o terno.
E as mulheres, nossa, que saudade que eu estava das mulheres; falo das mulheres que valem a pena, não aquelas de boa reputação que dão beijos sem graça como os da minha tia e falam das impertinências do labor diário ou das coisas que não provocam paixão; vou falar bem baixinho pra coisa não se espalhar: - as mulheres da minha festa bebem com alegria e riem a vontade, falam muitas bobagens (bobagens engraçadas e perversões)! Como se usa parênteses na linguagem oral? Que droga! Nunca tinha pensado nisso! As aspas vc faz com a mão, é, aquele gesto com os dedinhos; mas e os parênteses? Pois bem, deixa os parênteses pra lá, só convidei as mulheres loucas, as que quando beijam querem te engolir, te lambem e te babam, depois saem correndo, dançando e deixam vc com calor.
E quando todos entraram para se proteger eu saí correndo na chuva perseguindo as mulheres com gritinhos. E quando eu perseguia uma mulher louca correndo pela casa, entrei num lugar que eu não entrava há muito tempo e vi minha saudade ganhar forma num porão cheio de tralhas: meus velhos quadrinhos (delicioso cheiro de papel velho), meus velhos vinis (ficar virando o disco manualmente gera uma intimidade entre vc e o LP), velhíssimos brinquedos (brinquedos bem conservados quase novos, eu é que estou velho), camisetas de rock (não cabem mais em mim), tudo que eu amei muito um dia (estou começando a odiar esses parênteses).
Foi aí que eu vi uma das maiores fontes de alegria que eu já tive em minha vida: minha pipa. Amanhecia e todos já haviam partido, peguei minha pipa e sentei-me na grama para esperar os primeiros ventos do dia, amanheceu, mas não ventava. Apesar do meu desejo por um vento ser quase do tamanho do universo, nem uma brisa miserável no horizonte.
E aquela pipa ali, parada. Um brinquedo inocente que mostra que nem sempre conseguimos fazer o que queremos. Que nossa vontade pode não ser suficiente. Que a nossa vontade constrói a pipa e compra a linha, porém não move o ar. Se construíssem uma pipa a motor? Que ideia, Thomas Edson, aí não seria mais uma pipa. E só me restou, com inocência infante, pedir a Deus que mandasse um ventinho, só um soprinho entre dentes da boca do Criador, só um ventinho por favor, por favor... E Deus disse do outro lado do mundo: - Bata as asas borboletinha, quero ver uma pipa voar no céu.


mini conto de Allisson Franklin


sexta-feira, 19 de abril de 2013

Balão e a jumenta

21 Balaão levantou-se pela manhã, pôs a sela sobre a sua jumenta e foi com os líderes de Moabe.
22 Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o Anjo do Senhor pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam.
23 Quando a jumenta viu o Anjo do Senhor parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e prosseguiu pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho.
24 Então o Anjo do Senhor se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados.
25 Quando a jumenta viu o Anjo do Senhor, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo.
26 O Anjo do Senhor foi adiante e se colocou num lugar estreito, onde não havia espaço para desviar-se, nem para a direita nem para a esquerda.
27 Quando a jumenta viu o Anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com uma vara.
28 Então o Senhor abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: "Que foi que eu fiz a você, para você bater em mim três vezes?"
29 Balaão respondeu à jumenta: "Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo".
30 Mas a jumenta disse a Balaão: "Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você?" "Não", disse ele.
31 Então o Senhor abriu os olhos de Balaão, e ele viu o Anjo do Senhor parado no caminho, empunhando a sua espada. Então Balaão inclinou-se e prostrou-se com o rosto em terra.
32 E o Anjo do Senhor lhe perguntou: "Por que você bateu três vezes em sua jumenta? Eu vim aqui para impedi-lo de prosseguir porque o seu caminho me desagrada.
33 A jumenta me viu e se afastou de mim por três vezes. Se ela não se afastasse, certamente eu já o teria matado; mas a jumenta eu teria poupado".


MORAL 1: A verdade é que sou um tolo, porque quando me pergunto sobre as grandes questões da vida não obtenho resposta nenhuma. Ou alguém pode me mostrar alguma coisa além dos que os meus olhos podem ver?

MORAL 2: A raiva, além de nos impedir de ver a verdade, nos faz agir de uma forma que não agiríamos se tivéssemos calmos;

MORAL 3: Às vezes, tratamos mal alguém, sem considerar que aquela pessoa daria a vida por nós (desculpe mãe por todas as vezes que a destratei);

MORAL 4: Chega de tanta moral, não adianta querer ser e ensinar o certo, quando o verdadeiro aprendizado nasce no âmago de cada um com o desejo de aprender algo que o faça uma pessoa melhor.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

A mais temida das Lendas Urbanas



 Vou contar uma história que ouvi há muito tempo. É uma história dessas histórias de terror conhecidas por Lendas Urbanas. Essa, certamente, indubitavelmente, é a mais temida de todas porque é uma história de crimes, de tragédias, de sofrimento e de MORTE. Vamos chamá-la de ELA, porque segunda as crenças populares, a palavra tem o poder de atrair as coisas (Obs: com dinheiro não funciona). Pois bem, ELA  não pode ser combatida porque não sabemos de onde ela vem; ou, o que é pior, não há algo que motive que ela apareça como em outras Lendas Urbanas. ELA chega e te assusta, te fere, ou te mata! Do nada, obviamente que não, ela tem origem em algum lugar, ela tem origem na luta entre os homens, no medo, no ódio, na ânsia por poder, no desejo de matar, na vontade de fazer justiça com as próprias armas, no descuido e despreparo... enfim, ELA vem de várias origens e na maioria das vezes não  sabemos de onde ela veio exatamente. Todos são alvos. Velhos  ou crianças, homens ou mulheres, ricos ou pobres, mocinhos ou bandidos, tanto faz, ELA pode encontrar  qualquer um. Não há lugar e nem hora pra que ELA te ache. Pode ser na rua, ou mesmo no conforto do lar, ELA vara paredes e janelas e tenta te pegar; pode ser em plena luz do dia, brincando na calçada, ou dentro de casa escovando os dentes para dormir. ELA pode furar tua coxa ou estourar seu crânio, ELA pode ser perfurante ou impactante, tanto faz, foi criada para matar. Muitas vezes, ELA chega repentina e silenciosamente e essa é a pior das situações meu caro ouvinte, porque não dá tempo fazer nada além de sentir o ardor latejante queimando nossa carne e ver nossa vida passar em segundos diante dos nossos olhos e, em pensamento, suplicar a Deus por uma segunda chance. Às vezes, ela chega como um raio: rápido e fulminante. Porém, antes do raio sempre vem o trovão e assim também acontece com ELA. Antes que ELA te ache, você ouve um estouro seco, estampido abafado e vou logo avisando: não é como na TV! Na vida real, meu amigo, se você ouve o estouro e percebe que ELA está para chegar, junte suas forças e toda coragem que você puder encontrar dentro de você para poder jogar-se no chão, pois o medo pode paralisar até o mais forte dos homens. Se quiser rezar, pode! Não faz mal! Não vou dizer-te para tomar cuidado, porque sabes que não adianta. Desejo-te sorte para que ELA não te pegue. ELA: a bala perdida.



Um mini conto de Allisson Franklin